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Segundo Peter Diamandis, não há necessidade de se preocupar com o futuro, pois, daqui a alguns anos, teremos água potável, alimentos, energia e tudo mais do que precisamos para oferecer em excesso, graças a tecnologia e inovação.

Um conceito simples, ainda que bem polêmico, leva-nos a ter um olhar otimista com relação ao futuro. Ao mesmo tempo, podemos também entender como abundância o ato de conseguir trazer soluções para problemas, ou em situações de escassez de algo, sendo criativos com aquilo que temos em mãos.

E é exatamente isso que Massimo Bottura, dono do restaurante italiano Osteria Francescana, eleito o melhor do mundo pelo segundo ano consecutivo, soube fazer com maestria. Sua trajetória é tão inspiradora que virou parte da série da Netflix Chef’s Table.

Uma de suas histórias mais famosas conta como ele usou toda sua criatividade e inovação na cozinha para evitar o desperdício de um dos queijos mais preciosos da Itália: o Parmigiano-Reggiano.

Esse queijo, de origem controlada, demora cerca de um ano para ficar pronto. Sua produção é em grande escala, e quando um terremoto atingiu a Itália em 2012, na região de Modena, 360 mil peças do parmesão foram danificadas pelo tremor.

O renomado chef italiano fez do limão uma deliciosa limonada! Em contato com um dos produtores do queijo, ele se propôs fazer uma receita de risoto cujo arroz seria cozinhado no parmesão.

“Quero mostrar a todos o que aconteceu a Modena e ajudar a vender tudo o que produzem. Japão, Londres, Nova York, em todo lugar, estavam preparando o risoto Cacio e Pepe. Quarenta mil pessoas estavam preparando o risoto Cacio e Pepe. Todas as 360 mil peças de queijo foram vendidas, acabou tudo. Ninguém perdeu o emprego. Nenhum queijeiro fechou as portas. Foi uma receita com função social”, afirmou o chef Bottura.

Massimo usou o conceito de abundância de Peter Diamandis ao trazer a abundância àquilo que era um problema em grandes proporções, evitando o desperdício de comida. Hoje, sua gastronomia é conhecida mundialmente por misturar inovação, criatividade e função social.

Além dessa história emblemática, que difundiu a receita do risoto Cacio e Pepe em todo o mundo, o papel social e sustentável de Massimo na culinária não parou por aí. Em Milão, Bottura criou o projeto Refettorio Ambrosiano, onde usa os ingredientes excedentes da Expo Milão para servir pessoas pobres na periferia da cidade italiana.

Esse mesmo conceito foi utilizado nas Olimpíadas do Rio, em 2016. O chef veio até a capital carioca e abriu o Refettorio Gastromotiva. Localizado na Lapa, o restaurante continua a alimentar a população menos favorecida da cidade.

São projetos como esse que fazem com que a gente tenha um olhar mais otimista para o futuro e comece a entender o conceito de abundância de que Diamandis tanto fala.

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