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Um desconhecido pensador contemporâneo disse: a paz não custa nada. É claro que muitos economistas e políticos discordam dele. Para algumas nações, manter acordos de paz pode custar mais do que viver anos em guerra. Mas, levando em consideração o lado poético dessa frase, podemos entender que, às vezes, bastam pequenos atos para construir uma negociação pacífica.

Há poucos meses vimos isso muito claro acontecer na economia mundial, quando um simples ato de dois líderes trouxe a paz a dois países que viveram em constante guerra durante décadas: Coreia do Sul e Coreia do Norte.

Desde 1945 o território coreano, recém-saído da Segunda Guerra Mundial, saiu do domínio japonês para o da União Soviética e dos Estados Unidos. Entretanto, essa divisão, que inicialmente seria provisória, tornou-se definitiva até os tempos atuais, passando pela Guerra das Coreias, em 1950, e pela Guerra Fria.

Após décadas de separação, desde 1990, as duas Coreias começaram a tentar uma reunificação, dando pequenos passos em direção a isso. Entretanto, em quase 20 anos, nenhum ato tinha ido tão longe com a intenção de melhorar as relações intercoreanas. Em abril de 2018, Kim Jong-un fez história como o primeiro líder norte-coreano a pisar na Coreia do Sul, quando foi ao encontro do líder sul-coreano, Moon Jae-in.

Entre risadas, e um aperto de mãos fraterno, o líder norte-coreano disse que estava disposto a discutir de coração aberto as questões dos dois países, com foco na prosperidade e reunificação da Península da Coreia. Afirmou que uma nova era estava começando naquele momento, uma era da paz.

Olhando para essa situação de fora, você deve se perguntar, por que um ato tão simples para resgatar a paz não fora feito antes? Porém resolver conflitos, seja ele de qual natureza for, nunca é tão simples assim. Mesmo em boas negociações, são necessários anos para estabelecer um acordo.

O que muitos não sabem é que a verdadeira chave para obter resultados satisfatórios em negociações está dentro de nós mesmos. Analisando esse cenário político das Coreias, fica fácil perceber que nada disso teria acontecido se os dois líderes não tivessem tomado a decisão de abrir o coração para ouvir o próximo e chegar a um acordo por um bem maior, que beneficiasse não os desejos particulares de cada um deles, mas toda a população coreana, que sofre há décadas com essa separação.

Nós, seres humanos, somos falhos e costumamos tomar muitas decisões precipitadas quando nos deixamos levar por sentimentos de raiva. Por isso, o negociador William Ury defende a metáfora de ir até a varanda: dê um passo para trás nas negociações para conseguir enxergar o cenário completo. Ir até a varanda é ter uma nova perspectiva, obter um olhar diferente, para então encontrar a melhor saída.

Somente assim é possível perceber que às vezes você só precisa de uma atitude pequena e singela para estabelecer acordos bem-sucedidos em busca de um bem comum: a paz.

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