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O SXSW 2018 começou e lá vou eu consultar meu guia de sobrevivência que desenvolvi, ao longo das últimas duas participações. Somente no primeiro dia, parei de contar quando cheguei em 250 opções de eventos, palestras, keynotes, encontros, casas de eventos – a lista ainda ia muito longe. Tudo isso, espalhado em uma dezena de locais na cidade.

Em resumo: sem planejamento, aumenta muito a chance de você perder eventos interessantes ou escolher sessões de conteúdo raso, mas que tiveram um título chamativo. Bom, em média escolho oito sessões e priorizo quatro por dia. Alguns dos assuntos de tecnologia mais quentes, neste ano, continuam sendo inteligência artificial, em geral, e suas ramificações para aplicações práticas como assistentes digitais e novas interfaces baseadas em voz. Resolvo focar inicialmente nessa trilha e lá vou eu em busca de um conteúdo bacana.

Uma discussão interessante foi sobre o hype do assunto de AI. O site de recomendações para viagens TripAdvisor contou como utiliza a imensa quantidade de reviews (650 milhões) para gerar recomendações cada vez mais relevantes para os usuários. A iRobot, empresa nos EUA criadora do famoso robô faxineiro Roomba, contou como está aperfeiçoando cada vez mais os mecanismos do robô para a identificação e mapeamento dos cômodos da sua casa, de forma que ele se “lembrará” do trabalho anterior e ajustará o comportamento e trajetória da limpeza nas próximas vezes, além de câmeras para reconhecimento visual do ambiente.

Por fim, uma pesquisadora conceituada de Harvard no assunto de AI, discutiu as preocupações do potencial de “bias” no treinamento destes sistemas, incluindo a criação de bolhas de informação (que já vemos no Facebook) e algoritmos que geram percepções racistas. Em resumo, ela demonstrou a importância da discussão sobre regulação — “ferramentas de AI que influenciam milhões de pessoas e que demonstram comportamentos originalmente não intencionados, são mais assustadores que uma Skynet apocalíptica. Realmente para pensar!”.

Continuando, parto para a próxima: assistentes digitais. Um dos líderes do Google Assistant demonstra os principais conceitos e frameworks para a construção e evolução dessa nova geração de apps e devices, que estão facilitando as nossas interações digitais. Basicamente, após as revoluções do clicar (mouse), tocar (smartphones), o foco agora é conversar (voz ou chat), de forma a promover uma experiência mais natural no uso da tecnologia. A sessão contou com curiosidades e truques para minimizar os falsos positivos — por exemplo, um comercial na TV dizendo “OK Google” ou “Alexa”, e ativando indevidamente os dispositivos da sua casa: basta embutir uma música de fundo no comercial. Também explorou o que acontece entre o momento em que o usuário inicia uma conversa com o assistente e isso é traduzido para a intenção correta — incluindo todo o conjunto de ações potenciais pré-treinadas com qualificações, adjetivos e complementos. Exemplo:

  • Usuário: “Quero uma pizza”
  • Assistente: “Qual o tamanho?”
  • Usuário: “Grande”
  • Assistente: “De qual sabor?”
  • Usuário: “Pepperoni”

Por fim, ficarei bastante satisfeito quando no futuro próximo a app do SXSW oferecer um assistente inteligente onde bastaria perguntar: “South By, what is your recommendation for me?”. Pronto, planejamento encerrado!

Por Marcelo Vessoni, Diretor de Global Accounts na CI&T Estados Unidos

Marcelo possui 20 anos de experiência no mercado de tecnologia. Neste papel, promove o desenvolvimento e a expansão do relacionamento com grandes clientes do mercado norte americano, como Motorola, AB-Inbev, iHeartMedia, entregando produtos e plataformas digitais que alavancam os resultados de negócios destes clientes, gerando grandes impactos para seus usuários finais.

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